quarta-feira, 17 de junho de 2009

UMA SOMENTE dois

...
A verdade, è que uma coisa estranha/entranha em meu peito.
Em todos os momentos há um vazio
Está tudo tão mudado, eu estou sem jeito
Hoje eu ainda estou muito triste, por um fio.

Rita de Amorim 09/06/2007

UMA SOMENTE

As memórias saudosas que eu tenho da minha mãe avó (*01/01/1912 t 09/06/2007)

“Na África, quando um velho morre, é uma biblioteca que se queima.”
(Arnadou Hampâté Ba, 1991).

A vida sobre a terra é uma parábola com um começo e um fim.
(João Paulo lI, 1999,).

Nove de Junho de 2007
O caminho está mais comprido
Os passos mais curtos
Não sei como prosseguir sem a minha vedete.
Rita de Amorim 09/06/2007

Nunca tive namorada negra - Ivan Martins Revista Época

O preconceito molda a nossa capacidade de amar
IVAN MARTINS É editor-executivo de ÉPOCA


***Vale após ler, consultar a coluna dele no site da revista.

Eu nunca tive uma namorada negra. Saí uma ou duas vezes com moças negras na universidade, tive um caso intenso e demorado com uma mulher negra há pouco tempo, mas nenhuma delas foi namorada, relação firme, gente se que incorpora à vida e se leva à casa da mãe. Por que razão?

Um dos motivos é geográfico: desde a adolescência quase não há pessoas negras ao meu redor. Elas não estavam no colégio, não estavam na faculdade e não estão no trabalho, com raras e queridas exceções. É nesses ambientes - escola e emprego -- que se constroem relações duradouras de amor e amizade.

O outro motivo é vergonhoso: racismo. Deve haver um pedaço de mim que acha mulher branca mais bacana que mulher negra, independente de beleza, inteligência ou caráter. Mesmo tendo ancestrais negros, cresci numa sociedade em que a cor, os traços e os cabelos africanos são tratados como defeito. É difícil livrar-se desse lixo.

Ando pensando sobre essas coisas desde que tive uma discussão, dias atrás, com meu melhor amigo, sobre cotas raciais na universidade. Ele contra, eu a favor. Ele defende cotas econômicas, para jovens pobres oriundos das escolas públicas. Eu sinto que isso não é suficiente. Acredito que os negros têm sido sistematicamente prejudicados ao longo da história brasileira e fazem jus a políticas e tratamento preferenciais.

Penso nas namoradas negras que eu não tive. Elas não estavam na boa escola pública de primeiro grau onde eu entrei depois de um exame de admissão. Também não estavam na escola federal onde fiz o colégio. Ali só se entrava depois de um vestibular duríssimo. Na Universidade de São Paulo, onde estudei jornalismo, só havia um colega negro, nenhuma garota que eu me lembre.

Será que isso é apenas econômico? Duvido. Eu vim de uma família pobre e cheguei à universidade e à classe média. O mesmo fizeram minhas irmãs e meus amigos brancos. Os coleguinhas negros da infância - com poucas exceções -- não chegaram. Estavam em desvantagem. Tem algo aí no meio que é mais do que pobreza.

É fácil para mim enxergar que a linha de corte na sociedade brasileira não é apenas de renda. Ela é de cor também. Essa linha está dentro de nós, dentro de mim. Somos racistas, embora mestiços. Por isso me espanta que as pessoas não se inclinem generosamente pela idéia de uma reparação aos sofrimentos infringidos aos negros - até como forma de purgar essa coisa ruim e preconceituosa que trazemos dentro de nós.

Eu, que nunca tive uma namorada negra, gostaria que meus filhos vivessem num país melhor. Um país em que houvesse garotas e garotos negros na universidade pública, ao lado deles. Um país em que eles tivessem colegas de trabalho negros. Engenheiros. Médicos. Advogados. Jornalistas. Um país onde as pessoas pudessem se conhecer, se admirar e se amar sem a barreira do preconceito que ainda nos divide.

terça-feira, 16 de junho de 2009

TOALHA

Tá a fim de jogar a toalha e abandonar o campo?
Então joga a toalha que tá molhada de suor,
pega outra bem limpinha
e vamos recomeçar.

terça-feira, 9 de junho de 2009

ARCOS DE SANTA TEREZA

Vislumbro todos os dias
Destas janelas
Agonias.
Arcos de Santa Tereza
Onde está sua beleza?

Os belos arcos
Hoje palco de tristeza
Onde exasperados escalam
Por “ver-a-cidade”.

Na adolescência, sempre gostei daquele lugar
O qual atravessava no silêncio das tardes sabáticas,
para desacelerar.
Lá do alto a liberdade me abraçava
Oferecendo seu sorriso ao contrário

Hoje os tão ocupados salva vidas, quando solicitados
Nem sempre cumprem a missão.
Arcos de Santa Tereza
À noite com luzes acesas
Está prestes a virar vilão.

Observo: e isto não tarda
Que os arcos serão gradeados
Ou até eletrificados
Para que poetas, atores,
Belorizontinos poucos e pirados,
Não mais escalem ou fiquem assentados.

Distante/diante daquela beleza
Não poderemos mais,
Do cume deste símbolo erótico,
Compor, atuar, fazer odes e trocadilhos

...imaginar-nos nos trilhos.

rita de amorim – bhz – 14/07/2005

quarta-feira, 13 de maio de 2009

HAPPY HOUR SOBÁ 15 DE MAIO 2009



A SOBÁ foi criada em março de 1999, com o objetivo de divulgar uma bibliografia referente às questões étnico-raciais e facilitar o acesso de pesquisadores, professores, militantes do movimento negro e de demais segmentos interessados em pensar as relações étnicas no Brasil.
A SOBÁ organiza material específico sobre a questão racial negra no país através de trabalho minucioso de pesquisa e de busca em várias editoras. O trabalho selecionado nas diversas áreas do conhecimento é apresentado e comercializado em seminários, feiras, congressos, festivais, cursos, faculdades e escolas de várias cidades brasileiras, uma vez que a Sobá é também uma livraria itinerante.
Visando a construção de outros projetos, a livraria iniciou mais um e, em março de 2007, inaugurou a SOBÁ LIVRARIA & CAFÉ, um espaço cultural, artístico, literário e gastronômico, proporcionando ao público em geral, principalmente aos belorizontinos, acesso a cultura e lazer com conforto e qualidade.

SOBÁ - palavra inspirada no quimbundo – uma língua africana – expressa ancestralidade, sabedoria e semeadura, foi escolhida para nomear a livraria, que se propõe ser um espaço de busca por informação, formação e conhecimento.
A Livraria é coordenada por Celeste Libania e Rosane Pires, educadoras formadas em Letras pela UFMG.

Iª Caminhada Cultural Pela Liberdade Religiosa e Pela Paz - BH

Iª Caminhada Cultural Pela Liberdade Religiosa e Pela Paz
dia 13 de maio 2009 14:00hs na Praça 7


Nunca a vida humana e a terra estiveram tão ameaçadas – por conflitos produzidos por grupos economicamente poderosos, por danos ao meio ambiente, por terríveis desrespeito aos direitos do Ser humano, por conflitos étnico-culturais e por irresponsável incitação a rixas e a conflitos religiosos, inclusive através do uso diário dos meios de comunicação.

Mas, o ser humano, mesmo na sua diversidade e com as suas diferenças possui uma fundamental semelhança: trata-se do sagrado apego à vida, à defesa da vida – uma das fontes da nossa solidariedade de uns para com os outros e escudo humano contra todas as ameaças de aniquilação, destruição e morte.

Nós acreditamos na condição sagrada do ser humano e na eternidade da vida, na igualdade entre todos os homens e mulheres, e na paz. Nós acreditamos que todo o ser humano – na diversidade de culturas e de crenças – pode e deve buscar a convivência, em harmonia, cultivar sua herança cultural, seus valores, sua crença, preservando os rituais e a liturgia da religião de cada povo. É nossa convicção de que todo ser humano tem, também, o dever de cultivar e praticar o respeito ao seu semelhante – sem desrespeitar e agredir os valores morais, a ética e a crença de outrem.

Nós sabemos: constelações e planetas são diversos, assim como homens e mulheres de diversas culturas são diferentes. Mas, nós acreditamos que somos semelhantes em nossa vida, encarnada em cada criança e em cada adolescente, em cada adulto do mais jovem ao mais vivido. E sabemos: a semelhança une.

Aqui e neste dia, nós nos reunimos para festejar nossa rica diversidade de culturas, de religiões, de fé e para celebrar a nossa confiança na capacidade do ser humano de preservar a vida de todos e de cada um. Vamos, juntos, caminhar em defesa da paz, pelo direito de todos os seres humanos de cultivar sua fé e suas crenças – e, sobretudo, pelo dever de todos de defender e preservar a sagrada vida humana.
Dalmir Franciso-Mestre em Comunicação
A organização do Movimento Cultural Pela Liberdade Religiosa e Pela Paz
Convida

Exibição do Vídeos:
-Até Oxalá vai a Guerra
-Direitos Humanos e intolerância religiosa
Após Roda de Conversa sobre os vídeos

Iª Caminhada Cultural Pela Liberdade Religiosa e Pela Paz/ MG
dia 13 de maio
Concentração na Praça 7 (centro de BH)
apartir das 14 horas
Programação Cultural:
_Arue das Gerais
_Banda Esfera
_Banda Kalimba
_Beto Amaral
_Danilo Negão
_Companhia Baobá de Arte Africana
_Mestre Conga do Samba
_Odu Orixas
e muito ++++++++++++++
Organização: MONABANTU/MG
Associação Cultural Marcus Garvey